A hora parecia não passar, então parei de me importar, até descobrir que eu estava atrasada. Calcei meu velho tênis vermelho e saí com a roupa que eu usara desde que terminara meu banho matinal e com o resto do batom vermelho em meus lábios, peguei o primeiro trem, nessa hora, eu só pensava em como seria o nosso abraço...
Durante o caminho, já encima da hora, me vi perdida em pensamentos vagos e mirava a estrada paralela aos trilhos completamente deserta, o sol já tentava se esconder atrás dos prédios acinzentados, eu suspirava. Meu coração batia cada vez mais forte, eu estava a caminho da morte, da morte daquela saudade, eu te veria, sorri sem medo e sem me preocupar com o que os outros passageiros do trem pensariam de mim, e eu só pensava em como seria o nosso abraço...
Pensei em fingir nem me importar com sua presença e esperar você vir até mim, pensei que ficaria meio paralisada-abobalhada logo que te visse, pois já fazia tanto tempo... Pensei em simplesmente sair correndo em sua direção e te abraçar num pulo cheio de giros e gargalhadas, pensei, pensei, e o sol já se afogava atrás das árvores distantes que víamos no horizonte. Fechei os olhos por um momento e inspirei um perfume familiar, olhei em volta, era apenas um senhor sentando com seu livro forrado com couro do outro lado do trem, mirei minhas mãos afim de encontrar algo para fazer, o tempo parecia parar novamente, mas olhei pela janela e o sol já não estava mais lá. Ainda sim podiam ser vistos rastros no céu, que provavam que aquele início de noite teve mesmo um dia. As núvens alaranjadas com uns tons rosados, e um pouco de cinza pela formação de uma possível tempestade noturna, o vento soprava frio, e eu só pensava em como seria o nosso abraço...
[ Continua... ]
domingo, 9 de maio de 2010
Eu te veria.
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sábado, 1 de maio de 2010
Por que você me ama?

"- Hey? - Ele chama. - Olha pra mim. - Eu olho. - Por que você me ama?
Putz, ele perguntou. Na verdade eu nunca disse claramente um "eu te amo", mas ele sempre soube que sim, eu o amava. Eu nunca pensei que ele poderia me perguntar o porquê que eu o amo. Eu teria de fazer uma espécie de declaração, não sei... Era tão cedo pra isso...
- Érm... - Tentei começar alguma frase qualquer e mirei minhas mãos cruzadas encima de minhas pernas.
- Olha pra mim? - Ele pediu docemente. E assim fiz. Abri a boca pra começar a responder, mas não saiu nenhum som. Ele arqueou a sobrancelha me encorajando a falar.
- P-porque... - Comecei. - Bom, é que... - Desviei meus olhos pra baixo mais uma vez. Ele tocou meu queixo com seus dedos e levantou meu rosto para que meus olhos encontrassem com os dele. - Eu... te acho incrível. - Disse pausadamente. - Você tem... todas as qualidades que eu sempre procurei e admirei em alguém. - Disse um pouco mais rápido e meu olhar saltava de um olho dele para o outro constantemente. - E acho que isso faz de mim uma pessoa completa, não sei... - Dei de ombros, e ele esboçou um minúsculo sorriso no canto dos lábios, corei de vergonha e quando ameacei olhar pra baixo, ele passou de leve seu polegar em meu rosto. - E por mais que... você não sinta nem um... décimo do que eu sinto... - Meus olhos marejaram, e os dele fecharam por alguns segundos, como se assim fosse mais fácil de compreender a absover minhas palavras, depois se abriram e encontraram com os meus mais uma vez. - Você me faz crer que você sente sim, tanto quanto eu... Por cada gesto seu, o jeito que você me olha, o seu beijo, o jeito como me abraça, e como toca meu rosto, - Então ele se deu conta de que ainda estava acariciando meu rosto com seu polegar, e sorriu. - o jeito como você sorri... - Sorri junto, e uma lágrima traiçoeira rolou livre sobre minha bochecha. - Eu não sei, mas eu sinto, e por mais errada que eu possa estar, ainda sinto... Que são gestos que... Só acontecem entre você e eu, como se nenhuma outra garota conseguisse te fazer ficar assim... Por mais que eu esteja enganada, e que você realmente não goste de mim nem um décimo do que eu gosto, você consegue me fazer acreditar que eu posso SIM estar certa. E de certa forma... Se enganar também é uma forma de amar alguém... - Disse essa última frase com a voz falha, de quem estava para começar um choro, outra lágrima caiu, ele as secou, fechou os olhos e encostou sua testa na minha e colou nossos narizes.
- É, eu... - Suspirou pesado. - Realmente não sinto por você um décimo do que você sente, é... muito mais forte do que você pensa que é. - Ele abriu os olhos e encontrou os meus, tão próximos, chorosos e apreensivos. - Você não estava enganada, você cogitou algo que poderia estar se passando dentro de mim e... Acertou. Talvez... Apostar num sentimento pequeno, também pode ser uma forma de amar alguém. - Sorri pelo canto dos lábios, e ele seguiu o movimento como um espelho, depois colou nossos lábios num singelo selinho. - Eu te amo."
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domingo, 18 de abril de 2010
Minha cilada.
Eu entrei numa emboscada! Eu já nem sei mais o que pensar, o que fazer, como agir, eu já nem sei mais se consigo proceder, se tenho forças, se posso, se consigo, se devo seguir em frente. Eu acordo e lembro, o dia passa e eu lembro, antes de dormir eu lembro, não há nenhuma distração que me faça esquecer, um só minuto, um só segundo, é sempre assim, e quanto mais eu lembro, menos penso, minha cabeça se conturba cada vez mais, e um bilhão de pontos de interrogações dançam em meu cérebro. Tudo isso acontece e só me leva a um lugar (no caso, uma pessoa), e onde eu deveria encontrar minhas respostas é exatamente onde eu me perco, sempre, e cada vez mais profundamente. Eu quero me livrar desse sentimento, dessa ânsia, dessa angústia, eu quero poder sorrir de verdade, e encontrar o brilho dos meus olhos que eu não encontro há muito tempo, mas eu estou tão dependente, preciso tanto daquela motivação, preciso tanto, tanto mesmo... Eu entrei numa emboscada, uma cilada demonidada amor, e eu já não sei se posso afirmar que amar é algo bom, pois eu amo, logo sofro.
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sábado, 17 de abril de 2010
Há males que vem para o bem.
Sempre dizem "por mais absurdo ou impossível que pareça ser o que você deseja, SONHE com ele", eu sonho, e muito, mas um fato essa semana fez com que caísse minha ficha sobre isso. Eu percebi que venho sonhando com isso há muito tempo, mas que é sempre assim, e que parece que será sempre assim, apenas um sonho! Acontece que o que eu almejo vai um pouco além do que a vida costuma me presentear raramente, e pode até ser mesmo absurdo, mas sei que não é impossível, porém as auras são mínimas de que o sonho seja perpassado para a realidade. Decretei então buscar a parte mais branda desse conto de fadas, não é totalmente satisfatório, mas já é algo, e aos poucos quem sabe, eu conquiste a parte mais complexa desse problema. O que eu estou tentando focalizar agora é que eu apenas preciso aproveitar cada segundo, e fazer as coisas que quero antes que eu não as queira mais, sem pensar muito nas consequências, antes que eu não possa mais alcançá-las, e caso não alcance, me conformar com o fato de que a vida é cheia de conquistas e fracassos, e que há males que vem para o bem.
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quarta-feira, 7 de abril de 2010
Minha piada.

E eu que cogitei que estava me saindo bem com tudo isso, ah... sempre tem algo que me puxa pelo pé para a realidade. Eu não estou pedindo muito, e não que faça pouco caso sobre meus sonhos, mas é tão, tão... complicado entender. Sempre tem alguém de fora que passa as mãos em meus cabelos e diz 'calma, dê tempo, tudo vai dar certo', TEMPO? E eu vou depender logo do TEMPO? A vida é tão curta pra gente esperar pelo tempo que insiste em não ajudar, o tempo passa e você vai perdendo... Tempo (?) Ficar sentada esperando as coisas virem até mim realmente não facilitará, mas não é isso que eu estou fazendo, eu só estou... desistindo mesmo, sei lá, acho que minha vida está se tornando uma piada, e eu sou a única que não encontrei a graça nela, mas espero estar divertindo a muitas pessoas, pelo menos isso.
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quarta-feira, 24 de março de 2010
Addicted [Part II]
Fui colocando as roupas de qualquer jeito dentro da mala, eu não queria ter tempo para parar e pensar no que eu estava fazendo. Fechei a mala indo até o banheiro e pegando alguns objetos essenciais e os coloquei no bolso da frente. Carreguei a mala com um pouco de dificuldade até a sala. Ele estava parado de frente para a janela com as mãos no bolso e a cabeça baixa. A única coisa que eu desejava era que ele me dissesse a verdade e me fizesse mudar de idéia. Era só o que eu precisava.
Mas ele não o fez.
E a única coisa que eu consegui fazer foi segurar meu choro e abrir a porta do apartamento.
- Se você sair desse apartamento agora... - A voz dele fez meu coração acelerar. O olhei ainda segurando a maçaneta da porta. - Não precisa se dar ao trabalho de voltar. - Ele falou com a voz quebrando no final. Despedaçando igual ao meu coração.
Tive que lembrar como respirar para conseguir me manter firme.
Ele não se virou, e nem falou mais nada. Eu também não ia olhar pra trás.
- E eu não vou. - Falei tão baixo que tive certeza que ele não ouviu.Abri a porta e saí do apartamento.
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sábado, 13 de março de 2010
Danny e Ellisa.
‘Danny?!’ Perguntei depois de um tempo.
‘Oi.’ Ele respondeu calmo.
‘Você ligou pra ouvir minha respiração?’ Falei rindo baixinho.
‘Foi.’ Ele respondeu rindo também e eu fiquei sem graça. Pensei em falar alguma coisa, mas deixei que o silêncio prevalecesse mais uma vez.
‘Um filme.’ Falei tentando quebrar o silêncio que já estava me incomodando. ‘Diz a primeira coisa que vier na sua cabeça.’
‘Ok! De Volta Para o Futuro.’ Ele falou com convicção.
‘Uma cor.’
‘Azul.’
‘Uma qualidade.’
‘Hm...eu sou um bom pai, não sou?’ Ele riu.‘Acho que sim.’ Falei brincando. ‘Um objeto.’ Continuei.
‘O porta retrato do meu criado mudo.’ Ele respondeu, e na mesma hora e eu lembrei quando ele disse que a foto que eu tinha lhe dado no hospital ficava no criado mudo ao lado de sua cama.
‘Uma frase de alguma música.’ Falei balançando a cabeça para afastar meus pensamentos.
‘Can't you see that I wanna be, there with open arms. It's empty tonight and I'm all alone, get me through this one.’ Ele cantou baixinho Letters To You do Finch e eu senti uma vontade imensa de chorar, mas não podia fazer isso. Suspirei e segui em frente.
‘Um sentimento.’
‘Culpa.’ Ele falou baixo e eu senti uma pontada no peito.
‘Uma palavra.’ Falei devagar.
‘Desculpa.’ Ele disse em meio a um suspiro.
‘Uma certeza.’ Falei de olhos fechados já sentindo algumas lágrimas teimosas rolarem por meu rosto.
‘A de querer você só pra mim e pra sempre.’ Ele respondeu baixo e de uma forma triste enquanto eu sentia meu coração querer sair pela boca. Fiquei em silêncio apenas ouvindo sua respiração pesada.
‘Danny.’ Falei baixo me ajeitando embaixo do cobertor.
‘Oi.’ Ele respondeu com uma voz cansada.
‘Me lembra amanhã que isso não foi um sonho?’ Me senti boba falando isso, e ele riu baixo.
‘Lembro, pequena. E mesmo se fosse um sonho...’ Ele parou um instante. ‘Eu tornaria realidade pra você.’ Ele completou e eu sorri idiotamente.
‘Danny.’ Falei o nome dele pela milésima vez.
‘Meu nome soa mais bonito com a sua voz.’ Ele falou rindo.
‘Danny.’ Repeti e nós rimos. ‘Boa noite.’ Falei mais baixo já com os olhos fechados.
‘Boa noite, Ellisa.’ Ele falou tão baixo quanto eu. Suspirei e desliguei o telefone.
‘Eu te amo.’ Sorri comigo mesma desejando que ele tivesse dito a mesa coisa.
Addicted ♥
Postado por Conspiracy às 10:26 0 comentários
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