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quarta-feira, 18 de maio de 2011

Um mês.

Eu lembro como se fosse hoje, eu estava no meu trabalho, sentada em frente a minha mesa, trabalhando no meu computador, quando o celular toca, é minha mãe chorando desesperadamente. "Daiane, vem pra cá, o Rodrigo..."
"O quê mãe? Não entendi..."
"O coração do Rodrigo parou de bater, vem pra cá."
Levantei e abandonei o trabalho naquele mesmo instante, tomei um ônibus, mas não liguei os pontos, o coração dele tinha parado de bater, imaginei uns quatro médicos em volta dele com aquele desfibrilador tentando reanimá-lo, e até eu chegar lá, tudo estaria bem. Cheguei ao hospital, minha mãe com os olhos inchado, minha madrinha me recebeu em prantos, perguntei como ele estava, e me deram a notícia. Sabe quando você não quer acreditar? Ou talvez não é nem questão de querer ou não, é que simplesmente soa como piada, "meu irmão? morto? aaahh, tá bom, ele ia receber alta sexta agora..." Mas começou aquele corre corre de cartório, funerária, cemitério, caixão, taxa, roupas pretas, choros... No fim das contas, a ficha só caiu quando eu fui pro necrotério ajudar minha mãe a por a roupa no Rodrigo, já gélido, durinho, inchado, sem respiração, sem batimentos cardíacos...
Era pra ele estar aqui comigo agora mesmo, sempre que ligo a TV, e passa algum desenho animado, lembro dele, na verdade, ainda tudo o lembra, e hoje, depois de um mês, parecem que algumas coisas veem à tona. Foi um dia difícil, mas esse foi só o primeiro dia 18 depois daquele dia 18. Foi o dia em que ele nasceu, e o dia em que ele faleceu. Não sei se amo ou se odeio esse número. Por enquanto ele me traumatiza.


O universo não é maior que essa saudade que sinto de ti... Eu amo você, Guigo ♥

domingo, 8 de maio de 2011

Dia das mães.

Qual é a sensação de se perder um filho? As pessoas nascem, crescem, aprendem, se apaixonam, casam, reproduzem, criam seus filhos, morrem, e suas crias continuam a vida. E quando as coisas perdem a ordem natural da vida? E se um filho se vai antes mesmo de seu criador? Como uma mãe lida com isso? Uma parte dela, que convive com ela, de repente não está mais lá. E em datas comemorativas? No aniversário dela, no aniversário do filho, no dia das crianças, Natal, Páscoa, festa junina... E no dia das MÃES?
Meu irmão, Rodrigo, ficou 52 dias internado com um problema na medula, fez um tratamento, mas estava fraco demais, e não resistiu ao tratamento... Hoje foi o primeiro dia das mães sem ele. Achei que minha mãe estaria pior, ou talvez ela esteja acabada por dentro, mas está fazendo uma cara boa pra gente... Seja lá o que ela esteja sentindo. Eu, como filha, não muito exemplar, me sinto péssima por ela. O Rodrigo foi um companheiro muito mais fiel do que eu, e minha mãe chegou a comentar que ele estava sempre junto com ela por onde ela andava, e que hoje ele faz muita falta. Eu me sinto terrível quando olho uma foto dele, sinto vontade de tocá-lo, e não posso fazer nada a mais do que encostar na tela do computador. Se você for mãe, aproveite ao máximo o seu filho, porque eu como irmã, sofro ardentemente com a ausência dele, nem consigo imaginar a dor maior que minha mãe sente... Enfim...
Feliz dia das mães.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

É difícil.

Hoje é segunda-feira, uma semana que perdi meu irmão caçula.
Quando eu era bem pequena, eu implorava pra minha mãe me dar uma irmãzinha, mas isso até os cinco anos. Depois disso, parei de pedir, já estava ficando "velha" pra ter um irmão ou irmã. Então aos nove, minha mãe diz "estou grávida!", eu comemorei na hora, sempre quis alguém pra me fazer companhia. Os meses se passaram, a barriga cresceu, e em 18 de setembro, Rodrigo Silva do Carmo vem à vida. Nos primeiros dias, fiquei encantada com aquela pessoa miúda, eu não desgrudava dele, queria ficar com ele no colo o tempo inteiro. Conforme ele foi crescendo, foi sendo mais paparicado, e a menina da família foi "deixada de lado", bom, eu achava isso, mas não foi bem assim na verdade. Coisa de irmã mais velha ciumenta. Hoje tenho 19 anos, e meu irmão tinha 9, até semana passada, nos últimos, sei lá... Cinco anos... Eu e ele nos apegamos de um jeito que nada conseguia separar. O Rodrigo deixou de ser apenas meu irmão, e virou meu amigo, meu confidente. A gente aprontava e contava um pro outro, confiávamos um no outro. Dia 22 de fevereiro ele foi internado e minha vida não foi mais a mesma desde então, nossa casa ficou triste e silenciosa. Agora, depois de uma semana que ele se foi, ainda é difícil não olhar pro quarto dele e não se emocionar, ainda é difícil ver as fotos do Natal e os vídeos dele falando coisas sem muito sentido e não deixar escapar nenhuma lágrima, é difícil. Eu ainda estou em revolta, talvez. Me sentindo culpada por não ter passado mais tempo com ele no hospital, ou não ter feito tudo que ele quis, enfim... Está, e continuará sendo difícil, meu anjinho anda comigo, mas é que é f... Difícil não tê-lo aqui pra abraçá-lo, é difícil...


FOTO: Meu irmão no quintal da minha avó, na viagem que fizemos em 2008 a Recife, ele estava com 06 anos.

domingo, 24 de abril de 2011

A Páscoa.

Meu irmão acreditava em coelhinho da Páscoa até a Páscoa passada. Nós conversávamos com o Rodrigo e arrancávamos dele, disfarçadamente, os tipos de ovos que ele gostaria de ganhar. Na manhã de Páscoa, nós o chamávamos para o café da manhã, e enquanto ele ia preparando seu pãozinho, algum de nós, colocávamos em cima da cama dele, os ovos que ele pediu. Ao fim do café da manhã, ele sempre voltava pro quarto, pra buscar algum brinquedo, ou qualquer outra coisa, então ele olhava pra cama e via os ovos. Pegava-os, abraçava-os, e saia correndo com eles gritando "o coelhinho passou aqui, o coelhinho passou aqui!". Sentava na mesa com a gente, todos se faziam de espantados, e ajudávamos o Rodrigo a abrir os embrulhos. Ele, por hora, ignorava o chocolate, geralmente os ovos que ele pedia vinha com algum brinde dentro. Ele abria o ovo só pra pegar o presente, olhava, fuçava, descobria o que o brinde fazia, brincava, até enjoar, aí sim, ele lembrava que tinha chocolate em cima da mesa. Ele comia um pouco e oferecia pra todos.
Hoje foi diferente. Acordamos e fomos pra Missa de Sétimo Dia da morte dele. Ao voltar da missa, almoçamos e logo depois disso, entregamos aos amigos mais próximos dele, os ovos que eram pra ser do Rodrigo. Tenho certeza que o meu Guigo aprovou nosso gesto, ele tinha a nobreza de dividir as coisas. Espero que esse domingo de Páscoa tenha sido bom pra ele, nem imagino como deve ser essa grande festa no céu. Aqui foi triste, eu queria muito tê-lo aqui, mas ele esteve comigo o tempo todo, mesmo sem eu o ver. Eu sei disso.



FOTO: Rodrigo com nossa antiga coelha Blink, na sua festa de oito anos, em 2009. Ele tinha acabado de ganhar seu quarto do Homem Aranha, por isso, a blusa! (:

sábado, 23 de abril de 2011

Nove anos X Seis dias.

Eu estava pensando aqui comigo mesma, como as peças se juntam e formam um quebra-cabeça de um desenho horroroso, não é mesmo? Ontem foi dia 22, e segundo o médico responsável pelo caso do meu irmão, ele deveria ter recebido alta ontem mesmo. Ele teria passado o sábado conosco e amanhã, acordaria repleto de ovos de páscoa, todos os ovos que ele pediu, nós compramos; Homem Aranha, Homem de Ferro, Shrek, Ben 10... Todos nós compramos. Porém, ele não está mais aqui para recebê-los. Me dói perceber que meu irmão tinha apenas nove anos, uma criança totalmente indefesa, me dói perceber que ele só precisava aguentar mais seis dias, e estaria em casa. Meu pai chegou a planejar uma festa que aconteceria ontem, mas desde o dia 18, tudo que fazemos, é chorar... Na verdade, hoje foi o primeiro dia depois da morte do meu irmão em que eu não choro; foi segunda, terça, quarta, quinta, e sexta, embaixo de lágrimas... A vida é extremamente cruel, os médicos destruiram a medula óssea do meu irmão pra tentar fazer uma nova, mas nesse meio tempo meu irmão ficou muito fraco, ninguém sobrevive sem sua medula óssea... Então veio as convulsões, o corre corre pra sala de emergência, UTI, parada cardíaca, e... o adeus... Nós precisávamos de seis dias, e ele estaria aqui comigo, sem lágrimas, sem dor, e contando as horas pra nossa páscoa em família...



FOTO: Eu (16) e meu irmão (06) na rede da casa da minha avó. Viagem que fizemos à Recife em 2008.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Ele cuida.

Ano passado, no começo de agosto, fiz uma peripécia daquele jeito! Eu tinha saido com umas colegas e estava de salto, sentada num sofá, o chão era de madeira, levantei e caminhei em direção a porta, meu saltou entrou bem naquele intervalo entre uma madeira e a outra e meu corpo foi pro chão, uma cena bem linda, eu diria. Conclusão: Torci o tornozelo. No dia seguinte fui trabalhar mancando, deu a hora do almoço, fui pra casa e sentei pra comer, normal. Nessa, meu pé relaxou. Quando levantei, senti a maior dor do universo (logo atrás da dor de perder o Rodrigo), as lágrimas cairam automaticamente, foi terrível! Liguei pra minha mãe que estava no trabalho dela e perguntei o que fazer, já que eu não conseguia sair daquela posição. Ela pediu pra eu chamar a vizinha, Aline, ela cuidava do Rodrigo até o horário dele ir pra escola, já que não ficava ninguém em casa pela manhã. A Aline avisou ao Rodrigo que iria em casa me ajudar e pediu pra ele esperar, mas ele quis ir junto. Ela chegou em casa e me viu chorando muito, morrendo de dor. Ele ainda tinha oito anos, me ajudou a sentar na cadeira do PC, aquelas de rodinhas sabe? Perguntou se eu queria que ele fosse buscar algo pra mim, ou se eu queria que ele empurrasse a cadeira pra eu não fazer esforço e tal... Enfim, um anjo mesmo. Ele cuidou mais de mim do que eu dele, como irmã mais velha. Meu irmão sempre se preocupou comigo, e agora ele se preocupará e continuará me ajudando em alma e espírito, dentro de mim, nos meus sonhos e em todo lugar.


FOTO: Eu (16 anos) e o Rodrigo (6 anos), no SESC Interlagos em fevereiro de 2008.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Rosas vermelhas.

Meu irmão estava com Aplasia de Medula Óssea, e como não conseguiu um doador, passou pelo tratamento a medicação, injetada numa veia do pescoço por cinco dias seguidos. Várias enfermeiras entravam no quarto onde meu irmão estava, e fazia a troca das medicações, elas passavam por lá diariamente, e chegaram a se apegar a ele. Claro, meu irmão era uma criança adorável, qualquer pessoa se encantaria com ele. Minha mãe cuidou de anotar os nomes de todas as enfermeiras que passavam por lá, na cabeça dela, assim que meu irmão recebesse alta, ela agradeceria uma por uma, e mesmo não dizendo isso pra ele, ele teve uma idéia.


- Mãe, quero dar um presente pra elas.

- Ah é? O quê?

- Quando eu sair daqui, vou comprar rosas pra elas.

- Humm... De que cor?

- Vermelhas!


Meu irmão era fã do Homem Aranha, e as cores azuis e vermelhas eram as preferidas dele. Infelizmente, essa foi mais uma vontade dele que não se concretizou. Mas faremos isso por ele, minha mãe se encarregou de comprar rosas vermelhas e entregaremos às enfermeiras semana que vem, pelo Rodrigo. Era isso que ele queria, será que isso que faremos.



Meu irmão no hospital alguns dias depois do tratamento pra cura da Aplasia. Ele estava com uma aparência ótima. É lamentável saber que ele teve uma recaída e que eu jamais verei esse sorriso pra mim... Ai Rodrigo... Você vai fazer uma falta tremenda... =s Eu te amo, muito!